
O presiMente conseguiu fazer algo inédito: recuarmos 90 anos em 5. Exatamente como em 1918, as epidemias, a corrupção, o descaso do DESgoverno com a saúde levaram ao seguinte relato, que se aplica sem retoques aos dias de hoje (e após 85 anos de progressos). A prova irrefutável de que nenhum país, povo ou regime suporta a imoralidade por muito tempo. Ao invés de Gripe, leia-se 'dengue' e estamos em 2008 (ninguém merece isso!):
“Sobre a gripe de 1918 - A mortandade colossal do Rio não é uma conseqüência da gripe. É conseqüência do desgoverno em que vivemos. É conseqüência da politicagem celerada que tudo emporcalha, tudo perverte, tudo desorganiza, tudo arruína, que leva o fermento da desordem a todos os recantos do mecanismo institucional, a todas as peças da engrenagem administrativa. É o fruto maldito de uma estabilidade social fundada sobre a empáfia e incompetência dos dirigentes, sobre a corrupção e o suborno erigido em meios correntes de sucesso, sobre a adulação e a mentira cultivadas com jorros de dinheiro e larga distribuição de propinas e sinecuras, sobre o filhotismo e o compadresco, sobre a covardia cívica generalizada, sobre o esmagamento de todos os interesses comuns debaixo da coligação infame das voracidades mais impudicas. Daí a imprevidência, a preguiça, o ‘deixa andar’, o ‘fica para depois’, a tremenda irresponsabilidade geral que dão nestes resultados terrificantes.”
Publicado em O Estado de S. Paulo de 28/10/1918, pág. 3, citado por Cláudio Bertolli Filho in A Gripe Espanhola em São Paulo, 1918 - Editora Paz e Terra." do leitor do Estado de S.P. Bento Pereira Bueno.
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