NUM PAÍS DE TODOS, LEI PARA TODOS
Qualquer
pessoa minimamente esclarecida e que não tenha sido levada a flexibilizar seu
caráter e seu senso crítico em troca de benesses oficiais ou oficiosas, sempre
soube que o Sr. Luis Inácio Lula da Silva era um político ordinário, populista e
demagogo. Quem não se assumiu como cúmplice, alienado ou idiota sabe, por
exemplo, que o ex-presidente nunca hesitou em se valer de interesses de empresas
junto ao governo para tirar vantagens para a própria família. Sem falar do aval
que deu para negociatas tenebrosas envolvendo empresas públicas que vão garantir
vida boa e farta para várias gerações de fraudadores, prevaricadores,
estelionatários, malversadores e outros meliantes “de confiança” dos governos
petistas.
Tudo
bem, temos que admitir que eles “expropriaram” com competência e que
ex-sindicalistas viraram profissionais. Não é qualquer um que pode escapar
impune e ainda sair candidato depois de fazer uma empresa como a Petrobras pagar
a astronômica cifra de U$ 1,2 bi numa refinaria texana que não vale 10% disso.
Vejam aí, dinheiro de campanha não vai faltar nunca. E olhem que essa é apenas o
que se poderia definir como uma “falcatrua símbolo” em meio a centenas de
outras, hoje conhecidas pela alcunha de malfeitos.
Percebe-se
aí uma das razões da defesa ardente do Estado forte e onipresente na economia:
quanto mais Estado mais negociatas em perspectiva. Enquanto técnicos e
especialistas condenavam o que Hugo Chaves fazia com a PDVSA, ninguém questionou
o que os companheiros estavam fazendo com a Petrobras, a maior e outrora
respeitável empresa brasileira. Incompetência ou crime? Difícil separar as duas
coisas no mundo petista.
O
fato é que nem os próprios companheiros imaginavam que seriam tão bem sucedidos
na manipulação indecorosa dos bens públicos e na apropriação do Estado. Em
função disso, no afã de principiantes sem caráter, acabaram embarcando na
aventura do Mensalão, o que os obrigou a abrir um flanco quase fatal diante de
“sócios” gananciosos, recrutados em outros partidos e na iniciativa privada. Deu
no que deu, ou seja, baixas importantes na cúpula da quadrilha e reformulação
temporária nos planos de subjugar a democracia brasileira. E tudo isso, segundo
as fontes mais confiáveis, em troca de míseros R$ 350 milhões, surrupiados
principalmente do também outrora respeitável Banco do Brasil.
Mas,
todos sabem agora, foi um tropeço a ser debitado à inexperiência. Naquele
momento, os companheiros não tinham ainda a exata dimensão de onde poderiam
chegar, tanto que, conforme declarou o Sr. Marcos Valério (que levou o Oscar de
coadjuvante nesse thriller mafioso), o próprio Lula tratou de garantir, na época
do episódio infame, um caixa para despesas pessoais, mais uma denúncia que clama
por apuração rigorosa.
Mas,
para o safo mor (detentor do Oscar vitalício de ator principal), ainda era
pouco, muito pouco. Em meio a delírios de estadista, não percebeu que o uso
continuado do cachimbo já lhe entortava irremediavelmente a boca, para usar uma
imagem tão gasta quanto a ética dos governos petistas. Na condição de iluminado,
o então presidente entendeu que, para ele, não poderia haver limites de qualquer
natureza, nem moral, nem legal. Afinal, nunca houve ninguém como ele, o que é
paradoxal em se tratando de figura que fingiu ad nauseam no papel de
sujeito comum.
Nessa
linha, com a naturalidade dos puros e dos inimputáveis, o safo nem entendeu que
exorbitava ao instalar a própria amante como chefe de uma quadrilha federal em
pleno escritório da Presidência da República em São Paulo. Isto, depois de tê-la
carregado mundo afora em dezenas de viagens de alcova e de lhe ter concedido um
passaporte diplomático, sabe-se lá pra que.
Atentem
bem, vale repetir porque os fatos são surrealistas. Quem ouvir a estória num
país sério certamente vai imaginar que andamos a misturar Nelson Rodrigues com
Gabriel Garcia Marques nestas paragens tidas como das mais exóticas do planeta.
Mas, é a mais pura realidade: o Sr. Luis Inácio Lula da Silva, presidente
brasileiro, nomeou uma amante para comandar representação da presidência no
maior Estado da federação, de onde a concubina presidencial comandou uma
quadrilha que negociava pareceres de altas autoridades e órgãos públicos. A
chefe de quadrilha foi mantida no cargo pela presidente Dilma Roussef e só foi
demitida depois que a Polícia Federal resolveu acabar com a festa, sabe-se lá
porque.
Agora,
pergunta-se: vai ficar por isso mesmo ou a lei vale para todos?
José
Benedito Napoleone Silveira
Economista

