20.1.13

Matéria do amigo economista sobre os rumos da Nação


NUM PAÍS DE TODOS, LEI PARA TODOS

Qualquer pessoa minimamente esclarecida e que não tenha sido levada a flexibilizar seu caráter e seu senso crítico em troca de benesses oficiais ou oficiosas, sempre soube que o Sr. Luis Inácio Lula da Silva era um político ordinário, populista e demagogo. Quem não se assumiu como cúmplice, alienado ou idiota sabe, por exemplo, que o ex-presidente nunca hesitou em se valer de interesses de empresas junto ao governo para tirar vantagens para a própria família. Sem falar do aval que deu para negociatas tenebrosas envolvendo empresas públicas que vão garantir vida boa e farta para várias gerações de fraudadores, prevaricadores, estelionatários, malversadores e outros meliantes “de confiança” dos governos petistas.
Tudo bem, temos que admitir que eles “expropriaram” com competência e que ex-sindicalistas viraram profissionais. Não é qualquer um que pode escapar impune e ainda sair candidato depois de fazer uma empresa como a Petrobras pagar a astronômica cifra de U$ 1,2 bi numa refinaria texana que não vale 10% disso. Vejam aí, dinheiro de campanha não vai faltar nunca. E olhem que essa é apenas o que se poderia definir como uma “falcatrua símbolo” em meio a centenas de outras, hoje conhecidas pela alcunha de malfeitos.
Percebe-se aí uma das razões da defesa ardente do Estado forte e onipresente na economia: quanto mais Estado mais negociatas em perspectiva. Enquanto técnicos e especialistas condenavam o que Hugo Chaves fazia com a PDVSA, ninguém questionou o que os companheiros estavam fazendo com a Petrobras, a maior e outrora respeitável empresa brasileira. Incompetência ou crime? Difícil separar as duas coisas no mundo petista.
O fato é que nem os próprios companheiros imaginavam que seriam tão bem sucedidos na manipulação indecorosa dos bens públicos e na apropriação do Estado. Em função disso, no afã de principiantes sem caráter, acabaram embarcando na aventura do Mensalão, o que os obrigou a abrir um flanco quase fatal diante de “sócios” gananciosos, recrutados em outros partidos e na iniciativa privada. Deu no que deu, ou seja, baixas importantes na cúpula da quadrilha e reformulação temporária nos planos de subjugar a democracia brasileira. E tudo isso, segundo as fontes mais confiáveis, em troca de míseros R$ 350 milhões, surrupiados principalmente do também outrora respeitável Banco do Brasil.
Mas, todos sabem agora, foi um tropeço a ser debitado à inexperiência. Naquele momento, os companheiros não tinham ainda a exata dimensão de onde poderiam chegar, tanto que, conforme declarou o Sr. Marcos Valério (que levou o Oscar de coadjuvante nesse thriller mafioso), o próprio Lula tratou de garantir, na época do episódio infame, um caixa para despesas pessoais, mais uma denúncia que clama por apuração rigorosa.
Mas, para o safo mor (detentor do Oscar vitalício de ator principal), ainda era pouco, muito pouco. Em meio a delírios de estadista, não percebeu que o uso continuado do cachimbo já lhe entortava irremediavelmente a boca, para usar uma imagem tão gasta quanto a ética dos governos petistas. Na condição de iluminado, o então presidente entendeu que, para ele, não poderia haver limites de qualquer natureza, nem moral, nem legal. Afinal, nunca houve ninguém como ele, o que é paradoxal em se tratando de figura que fingiu ad nauseam no papel de sujeito comum.
Nessa linha, com a naturalidade dos puros e dos inimputáveis, o safo nem entendeu que exorbitava ao instalar a própria amante como chefe de uma quadrilha federal em pleno escritório da Presidência da República em São Paulo. Isto, depois de tê-la carregado mundo afora em dezenas de viagens de alcova e de lhe ter concedido um passaporte diplomático, sabe-se lá pra que.
Atentem bem, vale repetir porque os fatos são surrealistas. Quem ouvir a estória num país sério certamente vai imaginar que andamos a misturar Nelson Rodrigues com Gabriel Garcia Marques nestas paragens tidas como das mais exóticas do planeta. Mas, é a mais pura realidade: o Sr. Luis Inácio Lula da Silva, presidente brasileiro, nomeou uma amante para comandar representação da presidência no maior Estado da federação, de onde a concubina presidencial comandou uma quadrilha que negociava pareceres de altas autoridades e órgãos públicos. A chefe de quadrilha foi mantida no cargo pela presidente Dilma Roussef e só foi demitida depois que a Polícia Federal resolveu acabar com a festa, sabe-se lá porque.
Agora, pergunta-se: vai ficar por isso mesmo ou a lei vale para todos?
José Benedito Napoleone Silveira
Economista

Um comentário:

Fusca disse...

Excelente análise. Se ainda houver autoridade judicial e polícia no Brasil, basta deslocar-e à cidade do Porto em Portugal e verificar a origem e o destino dos 25 milhões de Euros que a concubina mandou levar de carro-forte ao Banco Espírito Santo, com seguro em seu nome mas com Lula da Silva como beneficiário (como o cumpanhêro Maluf padrinho de Haddad costuma fazer com suas contas em Jersey, na Suíça, etc.).