Aconteceu um ritual inédito neste 11 de agosto.
Foi lida uma carta elaborada por diversos escribas, permeada de frases óbvias sobre princípios que regem uma democracia, e de alegações estranhas e sem nexo entre as frases ao tentar insinuar uma ameaça imaginária que não é relacionada à realidade atual brasileira.
Como exemplo de incongruências da carta, são citados fatos como "estamos passando por momento de imenso perigo para a normalidade democrática, risco às instituições da República e insinuações de desacato ao resultado das eleições", e ao invés de citar os gravíssimos ataques aos Direitos Fundamentais, à Constituição e à independência dos 3 poderes, perpetrados por membros do STF (aos direitos constitucionais) e do TSE (à independência dos 3 poderes com ingerências até nos assuntos internos de partidos políticos) desde 2019, em flagrante desacato ao resultado das eleições de 2018, com inquéritos e ataques ao presidente eleito e prisão arbitrária, ilegal e sem crime previsto em lei de parlamentares (por crime de opinião) e jornalistas, a carta insinua alegados "ataques infundados...que questionam a lisura do processo eleitoral e o estado democrático (SIC) de direito",
O texto mistura insinuações com pleonasmo, raciocínio desconexo e contradição como podemos ver no trecho citado e no restante da carta.
Estado de direito por definição é democrático, e questionar falhas é obrigação constante de quem se preocupa com a lisura dos processos eleitorais, principamente quando se utiliza equipamentos obsoletos utilizados apenas no Brasil, em Bangladesh e no Butão. Tão obsoletos que até o Paraguai rejeitaou uma oferta de doação de urnas brasileiras há quase 10 anos:
https://www.gazetadopovo.com.br/mundo/paraguai-veta-uso-de-urnas-eletronicas-brasileiras-e-voto-e-manual-dyw869dyfxxnftfppxn62bgpa/
A falta de nexo entre os trechos da carta fica evidenciada quando menciona, sem especificar nem comprovar: em pleitos por maior "plenitude" em pautas raciais, "de gênero e orientação sexual (SIC)", e "ameaças aos demais poderes (quais ameaças e por parte de qual poder?) desvarios autoritários na democracia norte-americana, etc.
O estranho ritual foi finalizado com gritos a favor do presidente mais corrupto da história mundial, contra o único presidente que não protagonizou nenhum escândalo ou capítulo de corrupção desde Itamar franco. Sem um pio sobre o desrespeito, por parte de membros do Supremo Tribunal à ordem democrática, aos princípios do Direito e contrários ao processo legal, à repressão física, expropriação e silenciamento de jornalistas, parlamentares (à revelia da imunidade parlamentar) e à tortura, ao exílio e à censura total, até nas mídias sociais, à qual algumas das vítimas desses desmandos autoritários foram submetidas.
O presidente da República, cuja eleição grande parte dos signatários da carta não aceitam até hoje, em flagrante e contínuo desrespeito ao resultado das eleições, tem razão ao comparar o texto da carta com "pastel de vento" e afirmar que o ato panfletário de “assinar uma carta pela democracia enquanto apoia regimes que a desprezam e atacam os seus pilares tem a mesma relevância que uma carta contra as drogas assinada pelo Zé Pequeno, ou um manifesto em defesa das mulheres assinado pelo Maníaco do Parque”.




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