Até brasileiros de boa fé como João Ubaldo Ribeiro votaram alguma vez em Lulla, por desconhecimento.
Como em 1986 eu já era metalúrgico (antes, fui químico), nossos colegas já sabiam que o presiMente era pelego, sindicalista da pior facção. Porisso, nunca votei nelle. Aliás, o único voto do qual me arrependi e depois me "desarrependi" foi o do Collor. Primeiro, me arrependi porque o Plano Collor e as irregularidades posteriores foram o contrário de seu bem elaborado 'plano de governo' pré-eleitoral. Nunca mais votaria nelle. Mas - incrível, nunca achei que pudesse acontecer comigo: me DESARREPENDI ao ver o desastre que foi o desgoverno lulopetista, tanto do ponto de vista moral quanto ético, em relação ao lamentável governo collorido. Explico: não que eu voltaria a votar no Collor. Jamais! Meu voto no primeiro turno fora outro e na falta de opção entre Lulla e Collor, conhecendo a laia do primeiro, optei pelo voto útil em Collor para evitar o pior. Hoje sei que evitei o pior. Por isso, não estou mais arrependido daquele voto.
Mas fiquem tranqüilos: nunca mais votarei em Collor e nunca votei nem votarei no presiMente.
"Tomara que não esteja fazendo um dia enfarruscado, ventoso e frio, como os que têm aparecido ultimamente, por aqui onde moro. Afinal de contas, é mais uma repetição da única ocasião em que, no governo desta assim chamada democracia, somos convocados a dar algum palpite - e assim mesmo porque convém a eles, os que mandam em nós. Sei que há argumentos sérios em favor do voto obrigatório, mas ele existe mesmo é para dar representatividade aos eleitos. Se o voto não fosse obrigatório, cada eleito poderia ostentar apenas alguns poucos votos e não poderia abrir a boca para, também em seu próprio benefício, gabar-se de representar milhões ou centenas de milhares de cidadãos. Isso mesmo, mas, de qualquer forma, é a parte que nos cabe neste latifúndio e, assim, desfrutemos dela o quanto possamos, para o que um dia ensolarado e jovial contribuiria muito.
Eis o brasileiro saindo para votar, ação que, não faz tanto tempo assim, ele só conhecia de ouvir falar, apesar de sempre discuti-la com vigor. Uma das discussões mais recorrentes é sobre se sabemos votar. Minha opinião é que não, a começar por mim mesmo, que errei a mão feio várias vezes, desde até antes do tempo em que existia PT e Lula ainda não tinha mostrado, como já fartamente o fez, que não passava de um pelego mesmo, afinal. Bom menino, me levou no beiço, levou uma porção de outros otários no beiço, meteu todo mundo na algibeira, chegou lá e se fez numa boa - e aqui pra nós, outros...E pronto, lá se vai meu santo voto, um sinalzinho eletrônico efêmero, volátil e inconferível. Devia preocupar-me com o que vão fazer dele, não devia? Imagino que sim. Então que façam isso mesmo, isso em que vocês também estão pensando. "
João Ubaldo Ribeiro - Domingo, 05 de Outubro de 2008
2 comentários:
Olá Fusca.
Infelizmente, eu fui uma das otérias que caíram no conto do operário. Terei que me penitenciar pelo resto da vida. Mas, sei que irei para o céu mesmo assim. Viver em um país governado (?) por ele já é castigo mais que suficiente.
Muito bom (como sempre) este artigo do João Ubaldo.
beijos, boa semana para você.
P.S. Perdoe-me pela ausência. Estive muito doente e em repouso absoluto. Agora, já melhorando, volto, aos poucos a visitar os amigos.
Obrigado pela visita e estimo uma recuperação total!
Lindos blogs, e o Escrivinhações, além de muito criativo, é riquíssimo.
O poema do vale valeu! O lirismo dos demais é muito bom. Que produção, Parabéns!
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