cinzas de nosso maior patrimônio devastado,
cinzas dos ribeirinhos assassinados ou mortos de fome e doença,
desde o Velho Chico até os confins da Amazônia,
cinzas das vítimas de balas perdidas e da guerra não declarada do crime generalizado,
dos mortos por falta de atendimento médico,
cinzas da democracia conspurcada e ridicularizada pela nova elite do poder.
Cinzas das testemunhas do assassinato de Celso Daniel,
das centenas de processos criados para calar quem ainda tiver opinião,
cinzas da representatividade, dos votos das urnas fraudadas,
do voto não comprado, de um parlamento subjugado ao mensalão.
Cinzas dos 75% em saques feitos em dinheiro na farra do cartão,
cinzas da transparência, da vergonha na cara, da decência e do Tribunal de Contas da

União.
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