2.9.07

Não chamem de esmola



O que parece esmola para quem tem mais, é sobrevivência para quem não tem nada. Vamos parar de chamar o Bolsa Família de bolsa esmola ou coisa parecida. O projeto assistencial Bolsa Escola é uma questão de sobrevivência para os excluídos na época em que o Brasil ainda tinha governo, e que depois foi desvirtuado para uma extorsão programada, literalmente transformado num instrumento de compra de votos muito mal disfarçada.

Portanto, chamar o 'Bolsa Família' de esmola é subestimar a importância desse dinheiro para quem não tem nada.

O perverso no programa foi a transformação de um auxílio que visava a educação do povo para retirá-lo da miséria em um ardil para mantê-lo indefinidamente nela, dependente e implorando pela sua manutenção em troca da manutenção do desgoverno atual.

Para entender melhor o sentimento de nosso povo honrado mas humilhado pela quadrilha ora transformada em réu (exceto o chefão), leiam o depoimento de uma trabalhadora (operária de verdade, não confundam com sindicalistas pelegos ou quadrilheiros que querem se passar por políticos populares, de esquerda, 'progressistas' ou similares):

‘Mio pras galinhas’

O Lula diz que é fácil lidar com os pobres, que a gente se contenta com pouco. E agora está dando mais Bolsa-Família! Outro dia, no ônibus, um rapaz dizia: “O Lula faz que nem dono de galinheiro, que faz um titititi e joga uns mio pras galinhas, que assim elas não saem mais do cercado.” E todo mundo começou a rir. Pois é, Bolsa-Família, uns trocos, tem, mas vá precisar de hospital pra ver. É um horror. Fico com raiva porque o Lula se aproveita dos coitados e ainda fica se exibindo. Moro em apartamento do CDHU, vim de Quijingue, na Bahia, trabalho em casa de família e faço supletivo. Quem ajudou no Quijingue foi Fernando Henrique, que pôs transporte para as escolas e professor formado. Usei o computador da minha patroa, que eu não tenho internet, mas eu precisava falar alguma coisa.

ROZANE MATOS CARNEIRO
rozanematoscarneiro@hotmail.com
São Paulo

Fórum de leitores do Estado de S. Paulo, em 2 de setembro de 2007.

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